ACT na Vida Real

Escapar da própria sombra, apagar fogo com fogo, agarrar o ar…

Ao ler o título, provavelmente sua mente identificou  a impossibilidade das ações, não por elas mesmas (“escapar”, “apagar”, “agarrar”), mas porque os meios para alcançar os fins são incoerentes (a sombra continuará “grudada” à pessoa; o fogo se propagará; o ar continuará sem matéria sólida para ser “agarrado”).

 

Agora, relacione o que foi exposto acima, sobre as experiências do mundo externo (sombra, fogo, ar) às experiências do nosso mundo interno, principalmente as emoções e os pensamentos. Em seguida, note se, assim como escapar da própria sombra ou apagar fogo com fogo ou agarrar o ar, você acaba tendo reações que tornam as emoções ou os pensamentos difíceis ainda mais difíceis. 

Apesar de ouvirmos nossa mente nos contar que os meios que estamos investindo nos levarão ao fim valorizado, vamos olhar para a realidade: estes meios realmente estão nos aproximando daquilo que valorizamos?

Lembrete: “não é porque é lógico que funcionará”!

 

Simplesmente, com emoções e pensamentos, o meio a ser tomado é o da aceitação: reconhecer cada experiência interna, indesejada ou desejada, agradável ou desagradável, COMO É (e não como a mente-diz-que-deveria-ser).


O nosso SOFRIMENTO vem da nossa INSISTÊNCIA em controlar o incontrolável. Enquanto nosso BEM-ESTAR vem da nossa PERSISTÊNCIA em buscar/experimentar o que é VALOROSO para nós em meio à CONSTANTE IMPERMANÊNCIA da vida.

 

O primeiro passo para “apagar o fogo” é observar as chamas, sua extensão, verificar se há mais pontos de risco. E, para isso, é preciso PARAR e OBSERVAR. Em contato com a experiência como ela é, é possível AGIR – chamar pelos bombeiros, atirar baldes de água… Os mesmos passos servem para as emoções e pensamentos. Eles só “se apagam” ou se tornam “menores” se estivermos dispostos a observá-los como são, sem reagirmos por impulso, sem fugirmos, nem congelarmos. É preciso contato, mas um contato com aproximação e distância seguras para que o foco da atenção se expanda ao mesmo tempo que haja conexão ao que é importante para nós naquele contexto.