ACT na Vida Real

Vista panorâmica

(Foto: vista panorâmica Chiesa di San Salvatore al Monte, Florença, julho 2024)

Recentemente, estive em viagem à Itália, um lugar cheio de história e estórias, que mexe com o nosso imaginário (quem nunca se imaginou na Arena do Coliseu?, estando com Leonardo da Vinci e vendo suas grandes invenções?, cultivando momentos de reflexão profunda com os filósofos?..) assim como com a experiência direta do momento presente.
Por mais que andasse e andasse pelas ruas, ora largas, ora estreitas, e acessasse aos locais turísticos obrigatórios, parecia-me que estar “no meio” era como estar “submersa”. Entre tantos passos dados no miolo das cidades, eu e meu companheiro passamos a caminhar em busca dos pontos mais altos. Subimos torres e morros. Eis que me senti “lá” (ou “aqui”, como fora a experiência no momento). UAU! Ver de cima tem um impacto diferente. Do “fundo/miolo/meio” das cidades, passamos para a “superfície”.

Tudo muda quando nos damos a oportunidade de ver de cima: os cheiros, os barulhos, as cores… As formas são mais nítidas. Enquanto estamos apenas no modo-submerso, seja numa cidade, seja em pensamentos, deixamos de ver o todo; a mente se limita a esta visão estreita e passa a dar tamanho para as coisas a partir da maximização ou da minimização. Ao conseguirmos alternar entre os dois modos, submerso e panorâmico, damo-nos a oportunidade de ampliar a perspectiva.

Para a Terapia de Aceitação e Compromisso, um dos processos de bem-estar (ou flexibilidade psicológica como é nomeado pela ACT) é Self-como-Contexto: capacidade de notar um Self que flui, que muda, que não é estático, assim como notar a fluidez das experiências, ao invés de nos prendermos aos conteúdos produzidos pela mente (julgamentos, avaliações, previsões, condições…).
Automaticamente, nossa mente continuará funcionando no modo-conteúdo (Self-como-Conteúdo), ou mais de acordo com este texto, no modo-submerso. E nós temos o poder de reconhecer este funcionamento dela (assim como de reconhecer que a experiência turística é mais caótica enquanto está ‘no meio’ da cidade) e direcionarmos nossa atenção ao contexto, ou ao modo-panorâmico.

Se a “viagem” (vida no geral: situação desafiadora, pensamentos de preocupação, relacionamentos conflituosos, instabilidade emocional…) estiver caótica e você estiver se sentindo afogado, PARE e não tente ir contra o caos, tampouco se debater, pois isso piorará a experiência. Simplesmente pare. Relembre que sempre é possível ir para pontos mais altos, mais afastados, tomar uma perspectiva mais ampliada, respirar um ar mais puro. Claro que requer esforço, mas é um esforço direcionado ao bem-estar, diferentemente do esforço baseado no desespero que não tem um direcionamento, a não ser o do sofrimento.