O peso de si mesmo
Nunca havia visto sequer escutado sobre esta escultura que, sim, chama-se O Peso de Si Mesmo (The weight of oneself), e está localizada num ponto central de Lyon, França. Desde que soube da sua existência e que pude vê-la de pertinho, mantenho-a viva em minhas reflexões. Ela é a materialização do nosso processo de autoconhecimento, que nos mostra um Eu que carrega outro Eu. Como faz parte do mundo físico, é limitada. Entretanto, se adentrarmos nos nossos mundos invisíveis e impalpáveis, passamos a refletir sobre os muitos Eus que podemos carregar (que pesam, embora não tenham qualidades formais de medida).
Nem todo peso carregado precisa ser pesado, sofrido. Nosso trabalho é o de aprendermos a carregar os pesos de forma leve.
Desmaterializando a escultura e construindo subjetividadade: pode ser muito pesado não nos carregarmos. Quantos Eus podemos estar carregando que não são os nossos? Eus que nos foram atribuídos, não apenas por forças externas, sociais, culturais, mas pela própria mente?
Custa-nos sermos nós. Mas nos custa muito caro não sermos nós.
Tudo o que é importante tem um valor. O que não é importante gera dívida.
Minha experiência com esta escultura me fez ter infindáveis reflexões. Porém, na hora de passá-las para as palavras, ou seja, de tornar-me uma escultora de pensamento, torna-se limitada.
Eis que admiro ainda mais os artistas, os escultores, os escritores, os poetas… que conseguem materializar o imaterial universal.