A vida te faz convites a todo momento e em todo lugar
Será que estamos abertos a estes convites? No geral, será que sabemos receber? Será também que sabemos soltar?
Perguntas retóricas, mas com respostas explícitas: não, não sabemos viver com abertura à vida, receber o que a vida nos dá, tampouco soltar o que a vida nos tirou ou nos afastou.
Quando sabemos que não sabemos atingimos a sabedoria mais necessária para mudança. Essa frase toda pode ser enxugada em uma palavra: aceitação. E essa palavra não pode ser teórica, deve ser prática. Aceitação implica em ação.
Diariamente, eu aceito que não sei e tento experimentar ações que possam me abrir para a vida, para aquilo que vem, e para aquilo que precisa ir. Muitas vezes (às vezes, em todas as vezes!), minha mente tenta me impedir e, muitas vezes (às vezes, em todas as vezes!), ela consegue. É tão mais fácil, mas também tão mais sofrido, vivermos no mundo dentre nossas duas orelhas (inventado, interpretado, condicionado, limitado, apegado) do que no infinito, além dos nossos sentidos, o mundo verdadeiro.
Escrevo este texto não apenas com os dedos no teclado. Estou me abrindo internamente para observar como vivi meu dia até agora e como posso vivê-lo a partir de então. A mente com suas palavras pensadas, escritas ou lidas, é apenas uma ferramenta. Dependendo de como a utilizamos, tanto podemos nos aprisionar como nos libertar.
Esta foto foi tirada por mim, enquanto vivia no mundo entre as minhas duas orelhas ao voltar, a pé, da academia (uma mente soterrada de planos para o dia). A vida estava me convidando, e eu aceitei a este convite quando olhei para o chão em que estava pisando.
Senti o vento da manhã na pele.
Parei.
Respirei.
Observei o que estava ao redor.
Uma folhinha tão pequena, tão delicada e tão cheia de significado.
Agradeci ao convite e, principalmente, por minha escolha de aceitá-lo.
Segui, ainda com o mundo dentre as duas orelhas, mas agora, junto a ele, o mundo real. Caminhei com as pernas, os pés, os braços, os olhos, os ouvidos. Tornei-me uma pessoa com pensamentos. Antes, eu era os pensamentos.