ACT na Vida Real

Precisamos largar a mala

Uma das primeiras coisas que consideramos ao viajar é o que levar na mala.

O processo de arrumar a mala, para mim, já é viajar.

Me conecto com o clima e com os locais a serem conhecidos e conecto isso ao que eu já tenho.

Ao chegarmos aos destinos, precisamos largar a mala. Largando a mala, carregamos menos peso (o necessário, o atual, o do aqui-e-agora) e, assim, podemos caminhar livremente desbravando os caminhos até então apenas conhecidos pela mente e, agora, pela experiência direta.

Por mais que adiantemos o processo de conhecer a partir das informações (clima, costumes, gastronomia, locais, etc.) não o conhecemos. Ter acesso a informações é não conhecer. Conhecer é agregar as informações à experiência vivencial. O calor previsto de 36º não é o mesmo que sentir o calor de 36º diretamente na pele, juntamente com tantas outras variáveis da experiência (pessoas ao redor, o solo, as construções, a umidade do ar, a comida ingerida, etc.).
Além deste movimento de escolha dos itens baseado nas informações do futuro, há o que se apoia nas informações sobre o passado (“Daquela vez… então agora novamente…; “Se foi assim, então agora será…”, etc.).

Esse é o desafio valoroso da vida: fazer as malas a partir daquilo que se tem de informação (passado e “futuro”) e, principalmente, viver com os recursos que escolhemos ter de acordo com as variáveis do momento presente.

E na viagem que é a vida, que mala você tem carregado?

Enquanto estivermos viajando, a mala estará com a gente. Carregamos itens do nosso passado que, muitas vezes, nem são nossos, simplesmente herdamos da cultura, da família… carregamos itens de um futuro que apenas existe na mente (e que não é construído à toa: é uma projeção do passado).
Olhe para onde está indo. Comece a escolher os itens desta mala. Itens que tenham a ver com o presente. Alguns do passado não conseguiremos despachar. E não há problema desde que saibamos que não estamos presos a eles.