Qual é o meu Norte?
Em tempos digitais, talvez você nunca tenha tido contato direto com uma bússola. A bússola (assim como os mapas dos nossos celulares) apenas nos ajudará a direcionarmos nossos caminhos se, primeiro, encontrarmo-nos exatamente onde estamos. Já localizados, notamos que a agulha da bússola (ou a seta do gps) aponta para o Norte. Didaticamente, aprendemos que o Norte está ‘em cima ou para frente’, em oposição ao Sul que ‘está para trás ou para baixo’; o Leste ‘à direita’ em oposição ao Oeste, ‘à esquerda’. Neste momento em que estamos em contato direto com a experiência, ou seja, não estamos com a teoria, mas com a vivência, precisamos pensar além das regras convencionais da linguagem e do aprendizado teórico.
Sabermos qual é o nosso Norte já é darmos o primeiro passo sem que necessariamente eliciemos o comportamento motor de mexer as pernas (andar). Nosso Norte, dentro da ACT, pode ser traduzido como Valores: mais importante do que chegarmos ao destino, é como vivenciaremos o trajeto (ou a “viagem” ou qualquer-outro-nome-da-experiência-sobre-dar-direcionamentos-importantes-na-vida).
Em cada sessão da ACT, meu trabalho é ajudar quem está comigo a segurar sua bússola, identificar onde se está e, assim, ser capaz de reconhecer ‘seu Norte’. Não executarei os passos juntamente à pessoa (“o que”), mas ajudo-a a construir as características que valoriza em relação ao ato de andar (“como”).
Este trabalho de planejar as qualidades da rota é também de já executá-la. Tanto o plano quanto a execução só se fazem possíveis a partir do contato com o Momento Presente (eixo central da bússola).
Como você tem se relacionado com a sua bússola? Antes de sair dando passos em direção ao Norte apontado por ela, pare e reconheça onde está. Pergunte-se: qual é o meu norte? Que passos importantes eu posso dar, sem necessidade de lá chegar, mas sabendo que estou em direção ao que valorizo?
Mais importante do que o destino a se chegar, é como se vive o caminho.