ACT na Vida Real

Quem chega à terapia: Um diagnóstico ou uma pessoa?

Comumente, as pessoas buscam por psicoterapia após receberem algum diagnóstico psiquiátrico ou por estarem investigando algum, também devido a eventos difíceis ao longo da vida ou simplesmente “porque me encaminharam ou me ordenaram estar aqui”. Para terapeutas ACT, mais importante do que atender a diagnósticos, hipóteses diagnósticas ou rótulos advindos das situações de vida, é estarmos em contato com um ser humano em sofrimento. E, quando estamos em sofrimento, o que mais queremos é nos livrarmos dele.

Conto uma “má notícia” desde a primeira sessão: nenhum pensamento, nenhuma emoção, tampouco lembranças ou sensações físicas desaparecerão. Claro que podem diminuir drasticamente, mas não devido às “técnicas” que miram no sofrimento e, sim, devido à descoberta ou ao re-encontro do EU-VALORIZADO. Coloco mais um item nesta “notícia”: é preciso que haja permissão para que estas experiências internas ocorram e, apenas assim, elas não controlarão mais nossa vida.
[Você pode ter lido e interpretado isso como algo frio, porém é bem o contrário: a conduta precisa ser compassiva, afinal “terapeuta” é como “paciente” ou “diagnóstico”, são apenas rótulos da linguagem; a verdade é que somos todos humanos.]

Espera-se que, desde o primeiro encontro, a pessoa que chegou buscando se livrar do sofrimento saia querendo se conectar com a vida que deseja viver. Neste e, ao longo de todo o processo, aceitação e compromisso são experienciados: a partir de uma relação diferente com as experiências internas que, agora, simplesmente são observadas, permitidas que ali estejam, reconhecidas como são (e não como a mente diz serem – sem “bom/ruim, certo/errado”…)
Com esta relação que, aos poucos, vai sendo cultivada em com as experiências internas, a relação da pessoa consigo própria e com os demais ganha o mesmo tom. E o que vai guiando-a (não é a mente, tampouco sentimentos, emoções, sensações físicas, memórias…) são seus VALORES.

Mesmo quando “um diagnóstico” ou um “trauma” ou um “problemático” (aqui poderia ser qualquer outro rótulo estigmatizante) chega à psicoterapia, quem permanece e sai é um indivíduo comprometido com a vida que quer viver. Mais do que focar no formato desta vida (regras construídas pela mente: “ganhar X salário, pesar Xkg, estar ou não estar em um relacionamento afetivo…”) foca-se na qualidade desta vida, ou seja, nos VALORES: tudo aquilo que o move, que faz seu coração bater, que traz tranquilidade, esforços e cansaços que não causem desgaste, mas energia e ânimo; não tem um fim a ser alcançado, é um processo contínuo).