Sobre os conceitos da sociedade atual e o impacto no verdadeiro pensar
O cientificismo tomou conta da ciência. O ideologismo que vivemos hoje ofusca o brilho, a pureza, a essência do VERDADEIRO PENSAR e agir no mundo. A vulgarização da vulnerabilidade está transformando-a em fraqueza. Ceder aos desejos ou às aversões virou obrigatoriedade: “ah, isso me aciona gatilhos!; eu quero, então mereço!, etc”. A consequência disso? A desresponsabilização: “não sou responsável pelos meus atos, foi o outro ou a situação que os geraram”. E, se não há um outro ou uma situação, “então foram meus sentimentos e minhas emoções os responsáveis”. Passamos a viver num mito da causalidade: “ajo assim porque sinto isso ou porque penso aquilo; ajo assim porque me provocaram, me incentivaram…”.
O mundo atual é construído para que a sociedade se desintegre. A sociedade é apenas um efeito a nível macro do micro, ou seja, de um indivíduo desintegrado, desresponsabilizado. Um indivíduo “assim” é consequência da falta de autoconhecimento. A falta de autoconhecimento é consequência do modo-piloto-automático, da perda de contato com o presente, do apego às imagens, normas, performances, conceitos, ideologias. A consequência desses apegos é o conflito. E a consequência do conflito é a dualidade, e a dualidade causa esse ciclo interminável de sofrimento a nível micro e macro.
Pensamentos, sobretudo aqueles automáticos e reativos, são só produções condicionadas da nossa mente. Não pensamos livremente. Somos condicionados a pensar. Condicionamentos baseados na dualidade, no conflito (bom X ruim, certo X errado, esquerda X direita, preto X branco…). Não são pensamentos-de-verdade. Estes, estão a um nível mais profundo e, não é por estarem “aí”, que se requer muito esforço para acessá-los. Basta pararmos. Basta criarmos intenção (postura interna de interesse). Basta escutar o todo, ver o todo, sentir o todo. Como alguém que ouve música (música-de-verdade): a atenção pode ser dirigida a pontos individuais e específicos enquanto se expande para o conjunto de instrumentos, o todo da obra.
Lembremo-nos que somos essa sinfonia. Que o mundo é essa sinfonia. Que o cosmos é essa sinfonia.
Deixo uma pergunta-eixo com o intuito de nos ajudar a ultrapassarmos as barreiras superficiais da dualidade, dos pensamentos condicionados, e aderirmos às essenciais: Neste momento, nesta situação, estou sendo pensado pela minha mente ou estou pensando com a minha mente?