ACT na Vida Real

Você não é o seu trabalho

No Dia do Trabalhador, convido você a refletir sobre uma questão vital: quem eu sou?

Em conversas superficiais ou no início daquelas mais complexas, temos a tendência de nos apresentarmos a partir do nosso trabalho (aqui “trabalho” significa papel desempenhado com funções específicas, sendo remunerado ou não): “Sou psicóloga”. Esta resposta é muito limitada, pois restringe o SELF (também chamado de “EU”) a um CONCEITO (ou rótulo).

Claro que, todos nós, continuaremos a emitir este tipo de resposta do “eu sou _”, mas, aqui, o mais importante não são as palavras “Eu-sou-’psicóloga’”, é, sobretudo, a RELAÇÃO que TENHO com tais CONCEITOS sobre mim mesmo.


O EU/SELF não é uma entidade, algo estanque. É um conjunto de comportamentos relacionados à EXPERIÊNCIA DE SI MESMO. Ao longo dos dias, das semanas, dos meses, dos anos, nossa perspectiva de SELF vai mudando e precisamos estar atentos a estas mudanças naturais.

 

Nós, humanos, por sermos SERES VERBAIS, podemos ter comportamentos controlados pela LINGUAGEM (conceitos sobre a experiência), ao invés de comportamentos em contato ao contexto (contingências das experiências diretas).

Quando nos comportamos mais em função da linguagem (o que penso sobre mim; como narro quem eu sou, o que as pessoas falam sobre mim…), perdemos o contato com a experiência total do momento presente (“onde” verdadeiramente o Self se encontra).


O Self-como-contexto considera a impermanência, a fluidez, ao contrário do como-conceito que cristaliza e se ilude com a estagnação das experiências.

Enquanto o Self-como-conceito “diz ‘Eu sou psicóloga’”, o SELF-COMO-CONTEXTO “diz ‘O que eu vivo e como eu vivo desempenhando o papel de psicóloga’” – bem mais complexo, não é? A gente gasta menos energia ao narrar estórias já conhecidas sobre nós mesmos e a repeti-las… Mas também podemos tirar a vitalidade do nosso viver.

 

Então, permita-se “se aposentar” (dos conceitos sobre si) mesmo enquanto ainda trabalha (vive os contextos). Permita-se NOTAR as respostas para “o ‘Quem eu sou?’”, considerando que elas estão ALÉM DOS CONCEITOS/PALAVRAS. Estão nas dicas que nossos sentimentos nos dão, assim como sensações…

 

Em resumo: é arriscado nos apegarmos a conceitos sobre nós mesmos, pois esse apego nos leva ao AUTOMATISMO. A vida, quando baseada no automático/na execução mecânica de ações, torna-se vida não vivida.