Texto que não é texto, é a Vida
Paradoxal, como tudo que é humano, foi o que vivi no meu dezembro e no meu janeiro. Ora, partes minhas querendo acelerar o tempo, mudar o cenário, me levar para o “lá”. Ora, partes minhas querendo congelar o tempo e me grudar no cenário. Partes querendo prever o futuro porque o “não saber” era muito doloroso. Outras, querendo prever o futuro porque o “não saber” era muito curioso.
Na escrita, assim como no pensamento (que são a mesma coisa, afinal, pensar é antecedente ao escrever, que é tudo produto da linguagem, e a linguagem é produto da mente humana, mente humana programada para sobreviver. Portanto, a linguagem, maior ferramenta da mente humana, tem a mesma base: proteger o organismo, proteção baseada nos condicionamentos do passado e na busca das “previsões”, na ilusão de evitar riscos e se manter em segurança), é possível dividir: “uma parte, outra parte”, “isso ou aquilo”, “ou quero ir para lá ou quero ficar aqui”. A realidade (que é aquilo que não pode ser captado nem pelo pensamento, nem pela escrita): é o todo, o todo que aparentemente é oposto, e, se o for, é um oposto complementar. Se é oposto complementar, estamos dando voltas para simplesmente considerar que A VIDA HUMANA É PARADOXAL.
Voltando à minha experiência paradoxal neste período de tempo dezembro-janeiro… Experiências emocionais de medo, colocaram-me em ações de esquiva, na forma de pensamentos e na forma de emoções… Experiências de alegria, colocaram-me em ações de busca, também na forma de pensamentos e emoções… Dentro de mim, um arco-íris em preto e branco crescendo simultaneamente a um muito colorido… Sensação de não caber tudo dentro do espaço limitado da carne…
Novamente o paradoxo: não cabe tudo dentro de mim, mas pode caber tudo dentro de mim ao mesmo tempo.
Engraçado que o medo me deu a sensação de não ter sido possível de vivê-lo na sua totalidade porque a alegria estava ali, e a alegria me deu a sensação de não ser vivida completamente, porque ali, junto a ela, estava o medo.
Hoje, mais afastada a nível temporal, e mais conectada aos meus sentimentos, tenho a sensação de que estou mais próxima de viver a totalidade destas experiências intensas internas.
E isso me motivou a escrever esse texto.
Texto que não é texto, é a vida.
Vida que nos pega fora dos planos mentais, que, sendo mentais, são sempre ideais. E a vida não é ideal, é real. Por ser real, é paradoxal.