Pensei, pensei, pensei, DESpensei!
Os meus ouvidos, quando receberam esta fala em uma sessão, fizeram com que meu cérebro decodificasse os sons recebidos exatamente nestas palavras: “pensei, pensei, DESpensei“. Não houve hipótese de escrever “dispensei”.
Ouvindo-a de corpo todo, o que ela compartilhava comigo não era a “dispensa” dos pensamentos, mas o reconhecimento de que os pensamentos estavam e continuariam estando “lá”, E* que agora podia escolher se pensaria tais pensamentos ou se direcionaria sua atenção para outras experiências (muito além dos pensamentos: sensações, sentimentos, contingências diretas, valores…).
*Aqui há outro exemplo de legenda contraintuitiva: do mesmo modo que o prefixo “DES” introduz a ideia de negação/oposição, o “MAS” igualmente o faz. O que eu espero (e o que é uma premissa da ACT — ou melhor, da vida) é o “E” com ideia de coordenação/adição. Com este enquadramento do “E” nos nossos pensamentos, nas nossas experiências e nos nossos sentimentos, estamos mais alinhados ao funcionamento da vida: não há dualidade, há integração.
Adoro brincar com as palavras nos atendimentos! O prefixo “des” junto a “pensei” aproxima o significado deste novo conceito (DESPENSEI) à experiência relatada pelo(a) cliente. DESpensei, para nós, naquele momento, era o quadro que representava um dos processos de flexibilidade psicológica: a tal DESfusão.